Resenha | Estamos Bem

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Autor: Nina LaCour
Editora: Plataforma21
Páginas: 224
Ano: 2017
Classificação:

SinopseMarin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida. 
Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.

Estamos Bem, de Nina LaCour, é pura e simplesmente um livro sobre solidão. Aquela sensação que todos nós conhecemos e nem sempre gostamos, mas que por muitas vezes é necessária em momentos específicos de nossas vidas.

Marin é uma garota que terminou o ensino médio recentemente e acabou de perder seu avô. Sua mãe também faleceu quando ela era pequena, portanto esta perda recente faz com que ela se sinta sem nenhuma família. Por isso ela decide ir para faculdade alguns meses antes do previsto e, após este período, acaba se isolando no alojamento ao final do primeiro semestre letivo, já que teoricamente não há ninguém para quem ela possa retornar nas festas de fim de ano. A obra aborda os três dias em que Marin recebe a visita de sua melhor amiga no alojamento para tentarem resolver suas pendências pessoais e emocionais. Tudo isso enquanto a própria Marin lida com seu luto e sua sexualidade ainda mal compreendida.

A narrativa e Nina LaCour nos leva pelo passado da protagonista, em seu último verão com seu avô e seus amigos antes da faculdade começar. Os capítulos alternam entre presente e passado, nos mostrando o contraste da vida de Marin e como tudo era simples e feliz antes de seu avô falecer. O presente é repleto de melancolia e claro, solidão. Sentimos o peso de se estar completamente sozinho, em uma vida bem diferente daquela que se conhecia.

Apesar de curta, a história de Estamos Bem é profunda e nos traz muitas reflexões sobre o autoconhecimento e como precisamos da solidão para o alcançarmos. Marin tem um fluxo de pensamentos constante sobre sua situação atual e sobre quem ela é e quem poderá ser daqui pra frente, e o encontro com Mabel só a faz sentir ainda mais melancólica e até mais sozinha. Conseguimos ver com a clareza a profundidade da relação das duas e a ligação forte que ainda possuem, mesmo após ficarem tantos meses separadas.

Apesar de não concordar com boa parte das atitudes de Marin, principalmente em relação a Mabel, eu consegui sentir empatia por ela. Às vezes precisamos nos afastar de quem amamos para podermos nos compreender melhor e conseguir encontrar nosso lugar e nosso papel no mundo, e pra mim, foi isso que Marin fez.

A relação de Marin com o avô é mostrada de maneira delicada, e é difícil não sentir um carinho especial por um velhinho tão fofo. Só não gostei muito de uma coisa: Marin parece cobrar muito dele e dar muito pouco em troca. E acho que isso pesa bastante no resultado final e na culpa que ela sente após o falecimento do avô. Apesar de essa cobrança dela não ser algo distante da realidade, gostaria que a relação deles tivesse sido mais próxima e mais recíproca. Teria me feito sentir mais o luto da personagem.

No geral, é uma leitura fácil e bem fluida, que em nenhum momento me deixou entediada, por mais que nada “grandioso” aconteça. Não há revelações inesperadas ou plot twists, nenhum momento em que esperamos por um clímax. Mas mesmo assim, no final de tudo, sentimos que acompanhamos algo maior e mais esclarecedor do que o que esperávamos.

Beijos e até o próximo post!

Resenha | Lembra Aquela Vez

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Autor: Adam Silvera
Editora: Rocco
Páginas: 336
Ano: 2017
Classificação:
Skoob
Link para compra

SinopseFinalista na categoria romance juvenil do Prêmio Lambda, o mais tradicional do segmento de literatura LGBT do mundo, e celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”), entre outros, Lembra aquela vez conta a história de um garoto do Bronx (re)descobrindo sua sexualidade. 
Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade.
Lembra Aquela Vez é o livro de estreia do autor Adam Silvera e foi lançado no Brasil em 2017 pela editora Rocco. Eu já tinha ouvido falar sobre o quão impactante a história era, mas por algum motivo esperava que o clima fosse um pouco mais positivo, o que definitivamente não é o caso. Prepare seus lencinhos quando for embarcar nesta leitura.

Aaron é um garoto relativamente comum de uma vizinhança periférica no Brooklyn, que possui amigos e uma família que está se restabelecendo após a morte de seu patriarca. O ponto de partida da história é sobre como Aaron está lidando com suas lutas internas e a perda recente de seu pai, tentando encontrar uma maneira de ser feliz novamente. Sua namorada faz o que pode, mas ele só começa a encontrar sentido na vida novamente quando faz um novo amigo, Thomas, e as coisas começam a tomar rumos inesperados.

Não posso falar mais do que isso, apesar de achar que a sinopse já entrega mais do que deveria (e estragou um pouco da experiência de leitura pra mim). A obra tem um toque de ficção científica e lembra um pouco o filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, principalmente pela vibe melancólica do protagonista.

No começo, Lembra Aquela Vez não estava me cativando nem um pouco. Eu estava achando uma história simplória e chata, com acontecimentos muito banais e pouco interessantes. Aos poucos, fui imaginando para onde a história iria, e conforme fui chegando ao que parecia ser o grande clímax da história, pude descobrir boa parte do mistério, então mesmo com as reviravoltas, ainda não me senti tão surpresa.

O livro aborda temas extremamente relevantes com muita responsabilidade, dentre eles o preconceito, a violência, depressão e bullying. A importância da família e dos amigos também tem bastante destaque, mesmo quando tratados em uma perspectiva mais pessimista.

Lembra Aquela Vez deve ser lido com cautela por pessoas que possuem problemas com depressão e suicídio; o livro não aprofunda muito sobre estes assuntos, mas fala de maneira que pode ser gatilho para algumas pessoas.

Foi uma leitura proveitosa, mas que me surpreendeu muito pouco; acho que o autor poderia ter mudado um pouco certos acontecimentos para que fossem mais impactantes. De qualquer forma, eu super recomendo principalmente por ser um livro com diversidade e que dá vários tapas em seus leitores, mostrando de maneira crua como a orientação sexual nunca deve ser tratada como uma escolha.

Beijos e até o próximo post :*

Aleatoriedades #03

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Cheguei com o primeiro Aleatoriedades de 2018 para comentar com vocês algumas das coisas que aconteceram nesse começo de ano na minha vida :)

  • Comecei o ano em ritmo de férias, e foi muito bom poder tirar esse tempo pra mim mesma. Não viajei, então aproveitei para curtir bastante a preguiça, descansar a mente e me desligar um pouco dos problemas e do stress.

  • Graças às férias, consegui finalizar duas séries: Master of None e Parks & Recreation. Duas comédias com Aziz Ansari, mas com tipos de humor bem diferentes. Gostei muito das duas, e o final de Parks deixou meu coração quentinho e meus olhos transbordando…

  • Também ando lendo bastante nessas últimas semanas, mais do que o normal. Consegui participar de uma maratona no Carnaval, mas o que me fez ler mais foram os sprints que fiz sozinha, me ajudaram bastante a dar um gás nos livros em andamento.

  • Por falar em leituras, fiz uma coisa que há muito tempo não fazia: uma boa compra de livros. No total foram 9 aquisições, entre clássicos e livros de YA. Estou pensando em fazer um vídeo de book haul mas não sei se é uma boa ideia, já que eu acho um vídeo meio vazio, mas vou pensar com calma sobre isso.

  • Mesmo com essa compra grande que fiz, ultimamente estou tentando praticar o desapego e adotar o minimalismo na minha vida. Já fiz uma limpa no guarda-roupa (e pretendo fazer outras), estou doando e vendendo alguns livros e montando alguns mood boards para me ajudar a montar looks mais enxutos. Até nas redes sociais isso funciona, e sempre que termino uma limpa eu automaticamente me sinto mais leve. É uma prática que eu definitivamente recomendo!

  • Pra finalizar, quero compartilhar o meu mais novo vício, chamado synthwave. Tudo começou com uma playlist de Stranger Things, que logo evoluiu para outras e agora não consigo passar um dia sem ouvir algo desse estilo. Se você curte músicas com uma vibe anos 80 repletas de sintetizadores, o synthwave é pra você! Bandas que recomendo: FM-84, The Midnight e VHS Dreams.

Beijos e até o próximo post!

Resenha | Mindhunter

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Autores: John Douglas e Mark Olshaker
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Ano: 2017
Classificação:
Link para compra
Sinopse:Em detalhes assustadores, Mindhunter mostra os bastidores de alguns dos casos mais terríveis, fascinantes e desafiadores do FBI.
Durante as mais de duas décadas em que atuou no FBI, o agente especial John Douglas tornou-se uma figura lendária. Em uma época em que a expressão serial killer, assassino em série, nem existia, Douglas foi um oficial exemplar na aplicação da lei e na perseguição aos mais conhecidos e sádicos homicidas de nosso tempo. Como Jack Crawford em O Silêncio dos Inocentes, Douglas confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers e assassinos, incluindo Charles Manson, Ted Bundy e Ed Gein.
Com uma habilidade fantástica de se colocar no lugar tanto da vítima quando no do criminoso, Douglas analisa cada cena de crime, revivendo as ações de um e de outro, definindo seus perfis, descrevendo seus hábitos e, sobretudo, prevendo seus próximos passos.
Com a força de um thriller, ainda que terrivelmente verdadeiro, Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano é um fascinante relato da vida de um agente especial do FBI e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu. A história de Douglas serviu de inspiração para a série homônima da Netflix, que conta com a direção de David Fincher (Garota Exemplar e Clube da Luta) e Jonathan Groff, Holt McCallany e Anna Torv.

Mindhunter é um livro difícil de resenhar. Não tanto pelo assunto, que apesar de não ser dos mais tranquilos, é abordado de maneira bem explicativa; a dificuldade se dá mesmo pela enorme quantidade de informações a respeito dos estudos sobre serial killers e como suas mentes funcionam.

Quem acompanha os lançamentos da Netflix provavelmente ficou sabendo da estreia da série Mindhunter, que tem ninguém mais, ninguém menos que David Fincher na direção. Eu fiquei vidrada na série de primeira, e até cheguei a comentar aqui no blog em uma ocasião. Ao finalizar os episódios, fiquei super curiosa para conhecer mais do departamento do FBI de Quantico, que deu origem à história do programa de TV. E desde já digo que o livro é uma ótima adição ao que foi apresentado na primeira temporada.

O livro é quase uma autobiografia de John Douglas, ex-agente do FBI que entre os anos de 1970-1980, foi um dos responsáveis pela criação da Unidade de Apoio Investigativo do FBI, e junto a seus colegas de profissão, fez diversos estudos aprofundados sobre o comportamento de serial killers, além da criação de “perfis” destes criminosos. Aliás, o termo serial killer não existia até Robert Ressler, que trabalhava na divisão de Quantico, criá-lo. O resto, como todos sabemos, é história.


Não podemos afirmar o quanto de Mindhunter foi escrito por Douglas - se é que ele escreveu alguma coisa -, já que Mark Olshaker assina a co-autoria da obra, mas posso dizer que a narrativa é bem direta e sem muito espaço para sentimentalismos. O início do livro é lento, com relatos de Douglas sobre sua vida antes de se tornar policial, o início de sua carreira e o interesse pela psicologia de crimes hediondos, com foco em agressões sexuais e tortura. 

Passado esse começo arrastado, passamos a conhecer mais sobre Quantico e lemos trechos reais de entrevistas com alguns dos maiores serial killers já vistos, como Ed Kemper, Jerry Brudos, Wayne Williams, Dennis Rader e muitos outros. Charles Manson, apesar de não ser exatamente um assassino, também é citado e conseguimos conhecer bastante sobre sua vida conturbada. Um paralelo muito interessante é traçado sobre o passado destes criminosos e suas “carreiras” no crime, e este aspecto foi um dos que mais gostei durante a leitura.

John Douglas se mostra um tanto narcisista e às vezes arrogante, sempre nos lembrando do quão importante foi o seu trabalho para a comunidade e como ele ajudou a pegar diversos criminosos ao longo de sua carreira na polícia. O fato de Douglas ter sido a inspiração de personagens fictícios como Jack Crawford, de O Silêncio dos Inocentes, também é lembrado diversas vezes e isso pode ser um pouco irritante, mas acabamos acostumando.

Em relação à série, Mindhunter é uma adaptação muito fiel. As falas dos personagens, a ambientação e os obstáculos que a equipe de Quantico enfrenta são muito semelhantes ao que vemos no livro; a maior diferença fica por conta da participação feminina, que na realidade foi bem menor do que na ficção. Ann Burgess (Wendy Carr na série) serviu mais como uma consultora do que como uma atuante no departamento, como vemos na série. E Burgess não é lésbica como Carr. Acredito que as mudanças são benéficas e tornam a série mais empolgante; é bem legal ver mulheres em posição de poder mostrando seu valor.

Eu poderia falar muito mais sobre série e livro; o conteúdo é riquíssimo e rende muito o que debater. Mas deixo a experiência para quem quiser ler e se aprofundar nesse assunto fascinante que é a mente de criminosos tão frios quanto os serial killers. Aos desavisados: as descrições dos crimes são extremamente detalhadas e por muitas vezes me senti nauseada ao ler as atrocidades praticadas por alguns dos assassinos. Então, se você tem problemas em ler sobre corpos desmembrados, estupro e violência extrema, é melhor não se aventurar por esta obra.


Pra finalizar, quero comentar sobre os relatos que Douglas nos dá sobre a influência da família e da criação na vida de futuros assassinos e psicopatas. Ele não bate o martelo dizendo que assassinos nascem assassinos, mas nos apresenta argumentos suficientes para nos convencer de que a falta de uma boa estrutura familiar é um dos principais fatores a influenciar a vida de uma pessoa mentalmente desequilibrada. E também nos alerta do quão afetados podemos ficar ao lidar com pessoas e casos tão cruéis como os que ele lidou durante 25 anos de carreira. Mas fico feliz e grata por Douglas ter conseguido executar tão bem o seu trabalho, ajudando tanto a polícia como a psicologia.

Fica aqui a minha super recomendação, independente de você ter assistido ou não à série. Não vejo a hora de novos casos reais serem abordados e de conhecermos mais sobre os incríveis personagens criados para a TV.

Dica extra: Vi dois vídeos muito bons e muito completos sobre o livro e quero indicar pra vocês. Um é do canal Pipoca Musical e outro do canal Redatora de M*%$#. Para assistir, clique aqui e aqui.

Beijos e até o próximo post :*

Resenha | Tartarugas Até Lá Embaixo

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Ano: 2017

Classificação:

Sinopse:Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo.A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.
Saúde mental é um assunto sério. E ultimamente ele vem sendo abordado com cada vez mais frequência pela mídia, como por exemplo na série 13 Reasons Why, da Netflix. Depressão, transtornos de ansiedade e bipolar, TOC e muitas outras condições estão recebendo um pouco mais de atenção hoje em dia, principalmente quando falamos em jovens sendo diagnosticados com tais distúrbios.

Em Tartarugas Até Lá Embaixo, John Green aborda a vida de uma adolescente que sofre de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), que também é um distúrbio que o próprio autor convive há anos. Era de se esperar que o assunto fosse tratado com responsabilidade e verossimilhança, mas eu não estava preparada para o turbilhão de emoções que me atingiriam com esta leitura.

Aza Holmes tem 16 anos e é uma protagonista típica dos livros de John Green. Excêntrica, inteligente, sarcástica… só que ela sofre com esta doença que afeta sua vida há anos e tenta levar uma vida normal, na medida do possível.

Não quero falar muito da sinopse porque é muito legal descobrir o que leva Aza e sua amiga Dayse a perseguirem um bilionário sumido para ganharem uma boa quantia em quantia em dinheiro como recompensa. Pode parecer que este é o ponto principal da história, mas na verdade essa perseguição é apenas uma das nuances que permeiam a obra. Em Tartarugas encontramos relações de amor, família e amizade, autodescoberta e claro, saúde mental.

Os personagens são todos diferentões e tem seus defeitos e qualidades, mas compartilham aquela excentricidade clássica encontrada em outros livros do autor. A amizade de Dayse e Aza por vezes pode não ser muito equilibrada, mas é crível (eu quis matar a Dayse em uma cena em particular, mas tudo bem). Gostei particularmente de Noah, o irmão mais novo de Davis, que se mostra uma criança bastante afetada pelo pai ausente.

Já faz bons anos desde que John Green publicou seu último livro solo, e por mais que suas características se mantenham mais presentes do que nunca, fiquei muito feliz em ver o amadurecimento de sua escrita e de sua narrativa. Os diálogos ainda são um tanto filosóficos para a idade dos personagens, mas mesmo assim é difícil não se encantar e não querer marcar as frases de efeito da obra. Tem amor adolescente aqui também, mas não senti que sufoca a gente. Nesse quesito é algo bem leve e tranquilo de acompanhar.

Agora o que mais me tocou em Tartarugas com certeza foi a abordagem profunda das crises de Aza. John Green fala com muita propriedade sobre o TOC e nos arrebata com emoções difíceis de explicar; eu não só me senti aflita pela Aza, eu realmente entrei na personagem e me senti como ela. O coração acelerou, tive falta de ar e me deixei afetar muito pelos pensamentos dela. Talvez porque eu reconheça alguns desses sintomas de perto e sinta que minha mente às vezes possa se afundar em divagações não tão legais, ou simplesmente porque costumo sentir empatia por pessoas com este tipo de distúrbio. Só sei que foi uma jornada muito intensa e inesquecível.

Recomendo sem dúvidas a leitura, tanto para quem gosta ou não curte muito outros livros do mesmo autor. John Green realmente se superou em Tartarugas Até Lá Embaixo e tratou a saúde mental com muita sensibilidade.

Beijos e até o próximo post!

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