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Resenha | O Presente do Meu Grande Amor

quinta-feira, 2 de março de 2017
Autor: Vários autores (organização por Stephanie Perkins)
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2014
Classificação:

Skoob


Sinopse: Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve, presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite, vai se apaixonar pelo livro. Nestas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa se você comemora o Natal, o Ano Novo, o Chanucá ou o solstício de inverno. Casais de formam, famílias se reencontram, seres mágicos surgem e desejos impossíveis se realizam. O pessimismo não tem lugar neste livro, afinal o Natal é época de esperança. 
Eu dificilmente leio livros de contos, principalmente se forem de autores diferentes. Talvez seja o medo de não me identificar com tantas escritas diferentes e personagens, mas costumo passar longe desse tipo de leitura. Mas como o desafio do IDY de dezembro consistia em ler algo que se passasse no Natal, decidi pegar O Presente do Meu Grande Amor para ver se o espírito natalino realmente permeava as histórias.

Infelizmente, o que encontrei foi bem decepcionante. O livro começa bem, com um conto de Rainbow Rowell super gostosinho de ler, mas vai perdendo forças ao longo das pequenas histórias que apresenta. Alguns contos parecem inacabados e deixam grandes incógnitas, e por mais que eu saiba que é algo natural para histórias curtas, aqui a repetição de enredos mornos se torna bem cansativa em um ponto da leitura. Em alguns momentos eu nem sentia que o conto se passava no Natal, por exemplo. Parecia apenas uma história boba e rasa, sem nada a acrescentar.

Classificação dos contos, separadamente:

- Meias-noites, de Rainbow Rowell: 4/5
- A dama e a raposa, de Kelly Link: 1/5
- Anjos na neve, de Matt de la Peña: 3,5/5
- Encontre-me na Estrela do Norte, de Jenny Han: 3/5
- É um milagre de Yule, Charlie Brown, de Stephanie Perkins: 3,5/5
- Papai Noel por um dia, de David Levithan: 3/5
- Krampuslauf, de Holly Black: 2,5/5
- Que diabo você fez, Sophie Roth?, de Gayle Forman: 3/5
- Baldes de cerveja e menino Jesus, de Myra McEntire: 2,5/5
- Bem-vindo a Christmas, Califórnia, de Kiersten White: 4/5
- Estrela de Belém, de Ally Carter: 2/5
- A garota que despertou o sonhador, de Laini Taylor: 3,5/5

Como dá pra ver, minhas classificações foram bem medianas. Recomendo esta leitura pra quem já conhece a maioria dos autores e gosta bastante de realismo mágico, que é algo que quase todos os contos possuem. Se for ler apenas por curiosidade, é possível que você se decepcione tanto quanto eu.

Esta resenha faz parte do Desafio Literário I Dare You 2.0 (saiba mais clicando aqui).
Tema escolhido para Dezembro: Que se passe no Natal

E assim eu encerro minha participação no IDY e também em outros desafios anuais. Foi bacana mas percebi que pra mim o melhor é fazer maratonas curtas e desafio mensais.

 Beijos e até o próximo post :*

Resenha | O Chamado do Monstro

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017














Autor: Patrick Ness
Editora: Ática
Páginas: 216
Ano: 2011
Classificação:
SinopseA escuridão, o vento, os gritos. Os olhos estatelados, a respiração entrecortada. É o pesadelo de novo, como em quase todas as noites depois que a mãe de Conor ficou doente. A escuridão, o vento, os gritos - e o despertar no mesmo ponto, antes de chegar ao fim. Tudo é tão aterrorizante que Conor não se mostra nem um pouco assombrado quando uma árvore próxima à sua casa - um imponente teixo - transforma-se em um monstro. Além disso, ele precisa lidar com coisas mais urgentes e graves - o reinício dos tratamentos contra o câncer aos quais sua mãe terá que se submeter, a vinda da avó para ajudá-los, a permanente ausência do pai desde que ele foi morar com a nova família e a pesada perseguição na escola, da qual é vítima quase todos os dias. Tudo muito mais perturbador do que uma criatura feita de folhas e galhos. Só que o monstro sabe que Conor esconde um segredo. E isso o torna realmente assustador. Mas por que Conor deveria dar ouvidos a algo que parece imaginado? Por que o monstro parece ser a única criatura a estar ao seu lado diante de seus maiores medos - o de perder a mãe e o de contar a verdade.
Como começar a falar de um livro tão pequeno e tão complexo? Nesta obra de Patrick Ness, o leitor é levado por uma história repleta de simbolismos e sentimentos, que encanta e enche os olhos com ilustrações belíssimas que complementam os textos apresentados.

Desde o início não é difícil supor o que nos aguarda ao final da leitura. Os ensinamentos sobre a vida são dados em doses homeopáticas, com pequenas metáforas distribuídas ao longo dos capítulos que certamente irão trazer reflexões até naqueles mais insensíveis aos acontecimentos. Essa abordagem com um toque de realismo mágico foi crucial para me ganhar completamente e me fazer ficar extremamente envolvida por Conor e sua família.

Os personagens apresentados na obra não são nada rasos; mesmo aqueles que aparecem pouco, tem uma importância e profundidade grandes. O que senti por Conor ultrapassou a empatia, pois a cada interação com um personagem, eu fui Conor, vivenciei cada um de seus sentimentos e sofri com ele.

Imagens: Stephanie Bertram


O Chamado do Monstro não aborda apenas o óbvio ou aquilo a que se propõe. É uma obra que vai mais a fundo e pode ter um significado diferente para cada um. Mesmo podendo ser classificado com um infanto-juvenil, a maturidade de cada leitor é que irá determinar a mensagem que o autor quis passar.

Como eu disse no início da resenha, é difícil falar muito sobre este livro. Acho que isso acontece porque foi uma leitura angustiante, eu queria terminar para dar um fim ao sofrimento mas sabia que ainda não era hora, sabia que eu precisava passar mais tempo na companhia de Conor e do Monstro. Foi um aprendizado e tanto e por mais que tenha doído, eu espero poder revisitar esta história muitas e muitas vezes.

Esta resenha faz parte do Desafio Literário I Dare You 2.0 (saiba mais clicando aqui).
Tema escolhido para Novembro: Ler em um dia

Beijos e até o próximo post :*


Resenha | Caixa de Pássaros

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Ano: 2015
Classificação: 
Skoob

SinopseRomance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

Nossos medos são - salvo raras exceções - irracionais. E grande parte das vezes, o medo surge do desconhecido, do novo, do invisível. Partindo desse princípio, Caixa de Pássaros nos apresenta uma história onde a maior ameaça não pode ser vista, causando histeria e pânico em toda a população.

Josh Malerman nos guia junto a seus personagens pelo início do caos até o momento "presente", quatro anos à frente. A narrativa em terceira pessoa é uma escolha certeira, pois nos coloca em diversas situações diferentes e nos faz entender o todo, não apenas o que se passa com a protagonista, Malorie. Mesmo sem poder enxergar, o autor consegue aguçar nossos sentidos de uma maneira muito intensa. Não digo que senti um medo real durante a leitura, mas fiquei muito apreensiva e tensa durante boa parte das cenas.

Acompanhar a jornada dos personagens principais é angustiante. Impossível não sentir empatia por uma situação que poderia muito bem ocorrer nos dias de hoje, na nossa sociedade. Por muitas vezes são levantadas questões sobre sanidade e loucura, afinal, as pessoas que enxergam as tais criaturas não vivem para contar, podendo na verdade não ter visto absolutamente nada. Pensar nessa teoria foi o que mais me assustou durante a leitura, já que discute a já conhecida histeria coletiva, que ocorre quando várias pessoas são convencidas de alguma ameaça mesmo sem terem provas concretas de sua existência.

Em alguns momentos me senti propensa a julgar as atitudes de Malorie; mas quando eu lembrava da situação em que ela se encontrava, pensava duas vezes. Os personagens da obra são levados ao limite de sua humanidade, tendo que fazer escolhas nem sempre éticas em prol da sobrevivência. Isso pode ser assunto antigo para os que curtem histórias apocalípticas, mas sempre fico impressionada quando vejo do que somos capazes em situações extremas.

Super recomendo Caixa de Pássaros, mas caso você não goste muito de finais abertos, é melhor reconsiderar. Malerman deixa por nossa conta a "decisão final", e eu acho que nesse caso isso funciona porque sustenta a sensação de incerteza que nos acompanha durante toda a leitura.

Esta resenha faz parte do Desafio Literário I Dare You 2.0 (saiba mais clicando aqui).
Tema escolhido para Outubro: Suspense

Beijos e até o próximo post :*

Resenha | Dare Me

quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Autor: Megan Abbott
Nível de Inglês: Intermediário - Avançado
Páginas: 290
Ano: 2012
Classificação: 
Skoob
Sinopse: Addy Hanlon and Beth Cassidy are the varsity cheerleaders all the other girls fear and admire, the unchallenged rulers of their high school kingdom. But everything changes when the new coach arrives. Cool and commanding, Coach French seems perfect in every way, a charismatic presence who overturns the girls' established pecking order and still manages to gain their fierce allegiance in the process. Then a shocking event upends their fragile peace, and a police investigation begins circling in on the coach and her squad. As the girls's season moves towards its highly anticipated finale, Addy and Beth are forced to ask where their loyalties lie as they stakes grow higher, and more dangerous.

Meninas Malvadas + Cisne Negro = Dare Me.

Eu já não sou adolescente há uns bons dez anos. Mas ainda lembro com nitidez de alguns momentos do ensino médio e como eram a mentalidade das garotas naquela época. A rivalidade, a amizade, a falsidade, o ódio... tudo era em escalas astronômicas, sentido com muita intensidade. E apesar da aparente tristeza e apatia das personagens de Dare Me, é sobre esses sentimentos fortes que iremos ler.

Megan Abbott faz parte daquele time de autores que trata seus personagens com crueza, sem enfeitá-los em nenhum momento. Ela evoca de cada um seu lado mais sombrio, e nos surpreende ao abordar tantos assuntos complexos sem nos sufocar com informações o tempo todo.

O pano de fundo desta história é o ensino médio, mais precisamente a aula de Educação Física, onde as líderes de torcida praticam seus números e acrobacias. O grupo de garotas é abordado a fundo, assim como seus distúrbios alimentares e problemas de autoimagem. Temos a líder suprema, Beth, que é a típica Regina George; a amiga-braço-direito, Addy, que é o cachorrinho de estimação que faz tudo o que Beth pede e uma dúzia de outras meninas que apenas seguem umas às outras e fazem o seu melhor para conquistarem reconhecimento.

O conflito principal se sustenta pela rivalidade entre Beth e Colette, a nova treinadora das cheerleaders. Não senti em nenhum momento que Abbott tentou passar a imagem de que a rivalidade entre mulheres é natural; muito pelo contrário, os momentos de fofocas e rixas entre as garotas me soaram como um lembrete do quão problemático é esse comportamento e como suas consequências podem ser irreversíveis.

O ritmo do livro é lento no início, e vemos apenas vidas monótonas de adolescentes entediadas. Mas a situação muda conforme vamos sendo levados a um enredo cheio de segredos, vingança, e maldade, que se manifesta até nas menores ações e nos menores diálogos.

Addy, que narra Dare Me em primeira pessoa, poderia ser uma personagem sem carisma, mas seus conflitos internos são tão reais e interessantes que me mantiveram presa à ela. É claro que há momentos bobos, mas totalmente compreensíveis por conta da realidade de Addy e de como ela se enxerga e interage com as pessoas à sua volta. E com certeza ela foi a personagem que mais se desenvolveu durante todo o livro, adorei seu amadurecimento.

Gostei muito da sutileza utilizada para tratar a sexualidade de alguns personagens. Achei verossímil e nada forçado. As reviravoltas também foram instigantes e deram um gás na história.

O meu maior problema foi com a escrita de Abbott. Como li em inglês, tive bastante dificuldade para compreender todas as metáforas utilizadas pela autora. Alguns termos também ficaram bem confusos devido à aplicação usada, e isso me fez travar na leitura algumas vezes. Definitivamente não é recomendado para quem tem um inglês mais básico.

Mas no geral é um livro forte que poderia ser simplório, mas caindo nas mãos certas, conseguiu transmitir muito bem a sua mensagem.

There's something dangerous about the boredom of teenage girls.

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Tema escolhido para Setembro: Colegial

Beijos e até o próximo post :*


Resenha | 1222

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Autor: Anne Holt
Editora: Fundamento
Páginas: 303
Ano: 2013
Classificação:

Sinopse: A 1222 metros de altitude, um acidente de trem. Uma impiedosa nevasca. Um hotel centenário. E um assassinato! Uma ex-policial, tão astuta e brilhante quanto sarcástica e antissocial, é a única pessoa capaz de solucionar o mistério da morte de um dos 269 passageiros de um trem descarrilado. Isolados do resto do mundo por causa da neve, uma atmosfera de medo, hostilidade e desconfiança instala-se no hotel onde eles se refugiaram.

Mas Hanne não quer se envolver. Ela sabe que a verdade cobra um preço muito alto. Ao longo dos anos, sua busca por justiça lhe custou o amor de sua vida, sua carreira na polícia de Oslo e a própria mobilidade.
No entanto, encurralada por um assassino, encurralada pela pior nevasca da história, Hanne - e os outros passageiros - não tem saída.
Em uma situação extrema, as máscaras logo caem... E, nesse grupo, muitas pessoas não são o que parecem. Aliando sua capacidade de dedução a seu instinto, Hanne mergulha em um enigma difícil e surpreendente.

Sou do tipo que gosta de ler a sinopse e as resenhas (sem spoilers) antes de iniciar a leitura de um livro novo. É muito difícil eu pegar um livro às cegas, já que pelo menos o enredo já conheço um pouco. E antes de começar a ler 1222, eu fiz o meu ritual de sempre: li a sinopse oficial e algumas resenhas. Apesar de ter uma premissa interessante, os leitores diziam ser um livro lento e sem propósito, e isso já me deixou alerta. Talvez a influência das resenhas tenha pesado, mas vou ter que me juntar aos que dizem que este livro é terrivelmente fraco.

Logo na capa, nos deparamos com um blurb que diz que o livro é uma mistura de Agatha Christie e Stieg Larsson. E isso é uma tremenda blasfêmia! Já li livros de ambos os autores e Anne Holt não se assemelha em nada a nenhum deles, e vou explicar os motivos. 

A Rainha do Crime é conhecida pela construção impecável de seus mistérios e personagens (principalmente seus detetives). Holt criou uma protagonista chatíssima, que tenta ser sarcástica e inteligente mas que só sabe reclamar e relembrar do passado.

Larsson tem como característica uma narrativa envolvente e personagens sempre muito aprofundados psicologicamente. Nesse aspecto, Holt toma a direção contrária com uma narrativa arrastada e cheia de detalhes que não acrescentam nada à história. Ela tenta incansavelmente nos situar naquele cenário inóspito, mas solta informações desinteressantes e repetitivas que só cansam o leitor.

A protagonista, uma ex-policial paraplégica chamada Hanne, é uma típica mulher rabugenta que não aceita ajuda de ninguém (nem quando se encontra nas situações mais críticas). Eu não sei vocês, mas quando leio um livro policial, quero saber sobre os suspeitos, não sobre a vida pessoal do detetive. Alguns fatos podem ser relevantes para compreendermos melhor o personagem, mas eu não acho relevante, por exemplo, saber a orientação sexual da pessoa se isso não acrescenta nada de importante a seu desenvolvimento. E Hanne acha importantíssimo nos falar sobre seus amores passados e sua família, sendo que em nenhum momento isso me fez sentir empatia por ela e nem trouxe mais profundidade à personagem. Só me interessei por ela quando falava sobre sua vida na polícia e sobre o acidente que a fez perder os movimentos das pernas, e esses assuntos quase não são abordados por ela. Fuén.

O mistério em si é bem fraco; há uma tentativa de remeter à grande obra de Agatha Christie, Assassinato no Expresso do Oriente (o livro é até citado pela protagonista), mas claro, sem sucesso. Os suspeitos são estranhos e por mais que intriguem o leitor, não chegam a incomodar de verdade. A cabeça de Hanne funciona de maneira esquisita também, já que ela mistura os fatos apresentados com seus devaneios e acaba sempre perdendo o fio da meada. E a resolução do crime é extremamente simplória, visto a grandiosidade que a trama tenta nos passar.

Quem acompanha minhas resenhas sabe que eu dificilmente dou 5 estrelas, e isso é ainda mais raro com 1 estrela. Só chego a esses extremos quando AMO ou DETESTO um livro. E já ficou bem claro o que eu achei de 1222. Cheguei ao ponto de fazer skim read do meio pro fim, algo que nunca tinha acontecido antes. Pois é, Anne Holt precisa comer muito arroz e feijão pra chegar aos pés de Agatha Christie.

Alguém já leu esse livro? Minha resenha tirou qualquer vontade sua de ler? Conta aí nos comentários!

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Tema escolhido para Julho: Policial

Beijos e até o próximo post :*

Resenha | Anexos

terça-feira, 30 de agosto de 2016


Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Páginas: 366
Ano: 2014
Classificação: 
Skoob
SinopseBeth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É política da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas.Enquanto isso, Lincoln O’Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho – ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser “agente de segurança da internet”, se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers – e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que está se apaixonado por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria...?
Coisa boa nessa vida é quando a gente queima a língua, né? Depois de ter lido Eleanor & Park e achado "fofo demais" pra mim, não pensei em ler algo da Rainbow Rowell tão cedo. Então me deparei com uma oportunidade de ler Anexos, e mesmo desconfiada, decidi dar uma chance. Pela minha nota já dá pra saber que foi uma surpresa muito positiva.

Já vi muita gente reclamando do enredo de Anexos, mas particularmente eu achei bacana. Nada original, a gente já consegue imaginar onde tudo vai dar, mas mesmo assim achei crível. Até porque o livro se passa no final dos anos 90/começo dos anos 2000, então temos que ter isso em mente ao iniciar a leitura. O começo da internet, a troca de e-mails frenética, tudo isso era bem comum na época.

Os personagens são apaixonantes. Lincoln é aquele nerd super fofo e bonzinho,  e apesar de ser irritante no começo, me deixou morrendo de amores depois. Beth e Jennifer são hilárias, é uma delícia ler seus e-mails e descobrir um pouco sobre elas através das histórias que contam uma pra outra. Outros personagens secundários também são interessantes e dá pra perceber que Rowell pensou bem na personalidade de cada um.



A narrativa de Rowell é excelente, tem aquele tom leve e descontraído que eu já conhecia em E&P, mas um pouco mais maduro já que os personagens são adultos nos seus late-twenties. Me identifiquei com várias situações, já que estou numa fase semelhante a dos personagens. O namoro duradouro, a pressão para engravidar logo após o casamento, os jantares na casa dos amigos, a mudança da casa dos pais... Tudo isso é muito "identificável" pra mim.

Claro que as páginas voam e quando a gente percebe já está terminando o livro. Capítulos curtos, linguagem simples e muitos diálogos fazem com que tudo flua com rapidez e torna a leitura ainda mais gostosa, do tipo que nos deixa com um sorriso no rosto e o coração aquecido.

Minha única crítica é em relação ao final. Achei muito corrido e inverossímil, havia outras maneiras de se fazer a mesma coisa sem apelar para o clichê. Mas a gente dá um desconto, afinal o livro inteiro e ótimo e esse foi o debut da autora. No geral eu super recomendo e não vejo a hora de ler mais um livro dela (provavelmente será Ligações).


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Tema escolhido para Agosto: Romance

E você, é fã de Rainbow Rowell? Conta aí nos comentários o que achou desse ou de outros livros dela!

Beijos e até o próximo post :*

Resenha | The Kiss of Deception

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Autor: Mary E. Pearson
Editora: Darkside
Páginas: 406
Ano: 2016
Classificação:
Skoob
SinopseTudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? 
Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.
O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.
Não dá pra começar a falar de The Kiss of Deception sem mencionar essa lindíssima capa, que eu já vinha admirando desde que esse livro bombou lá fora. Saber que a editora Darkside ia lançá-lo no Brasil me deixou ainda mais curiosa, e acabei comprando assim que tive a oportunidade. Não fiquei nem um pouco decepcionada com o trabalho gráfico da editora, que sempre é muito caprichosa em tudo o que faz. Pena não poder dizer o mesmo sobre a minha experiência com o livro.

O que você, caro amigo leitor, precisa saber antes de qualquer coisa é o seguinte: esse não é um livro de fantasia. Mas aí você pode estar se perguntando como isso é possível, já que a capa e até mesmo a sinopse remetem a reinos, magia e guerra. E não é que nenhum desses assuntos esteja presente, e sim que todos eles são ofuscados pela presença do famigerado romance. Ele toma conta do livro todo, impossibilitando o desenvolvimento de qualquer outro plot. Portanto, esteja ciente de que você precisa gostar muito de romance para aproveitar TKD da melhor maneira. Como eu não sou a mais fã de amorzinho adolescente, começou a dar errado a partir daí.



Eu fui muito enganada com essa leitura. Primeiro porque de fantasia não tem quase nada. Segundo porque o romance é bem instalove, e nem o tal triângulo amoroso é bem desenvolvido, já que Lia claramente prefere um dos rapazes. Como eu não gosto dessa geometria amorosa, até que achei bom o fato de ela não ficar toda indecisa o tempo todo. Agora, sobre o grande mistério do livro: a identidade do príncipe e do assassino. Não quero falar muito para não estragar a experiência de ninguém, mas eu fiquei com muita raiva. E não aquela raiva boa, do tipo que a gente ama mais odeia o que aconteceu. Eu fiquei com ódio de verdade. Porque após a revelação, não houve explicação alguma, nenhuma justificativa que realmente tenha me feito acreditar no que a autora criou. Tive mais alguns problemas com a revelação mas prefiro não comentar pra não soltar spoilers.



Claro que não foi tudo ruim, se não minha nota teria sido mais baixa. Gostei bastante das relações entre as personagens femininas, sem essa palhaçada de competição e inveja. Elas se apoiam e fazem tudo umas pelas outras. É uma representação muito válida e que precisa ser abordada com mais frequência em livros de YA. Outra coisa que gostei foi a ambientação, que mesmo não sendo muito aprofundada, me fez sentir imersa no mundo criado pela autora. E pela primeira vez achei o mapa do livro realmente útil, me ajudou bastante a entender a jornada dos personagens pelo reino de Morrighan.

Em resumo, TKD é isso aí: donzela rebelde delirando pelos cantos à procura de um amor, um pouco de magia, profecia sobre "A Escolhida" e uma ambientação que soa levemente como um reino distante. Não crie grandes expectativas e seja surpreendido. Do contrário, a palavra deception irá significar muito mais do que apenas parte do título do livro.

Darkside sempre arrasando!


Esta resenha faz parte do Desafio Literário I Dare You 2.0 (saiba mais clicando aqui).
Tema escolhido para Junho: Capa linda

Me conta aí nos comentários o que você achou do livro ou se pretender ler!

Beijos e até o próximo post :*

Resenha | The Winner's Curse

quarta-feira, 29 de junho de 2016
Imagem: Stephanie Bertram


Autor: Marie Rutkoski
Nível de inglês: Intermediário - Avançado
Páginas: 368
Ano: 2014
Classificação:
Skoob
Sinopse: Kestrel quer ser dona do próprio destino. Alistar-se no Exército ou casar-se não fazem parte dos seus planos. Contrariando as vontades do pai - o poderoso general de Valória, reconhecido por liderar batalhas e conquistar outros povos -, a jovem insiste em sua rebeldia. Ironicamente, na busca pela própria liberdade, Kestrel acaba comprando um escravo em um leilão. O valor da compra chega a ser escandaloso, e mal sabe ela que esse ato impensado lhe custará muito mais do que moedas valorianas. O mistério em torno do escravo é hipnotizante. Os olhos de Arin escondem segredos profundos que, aos poucos, começam a emergir, mas há sempre algo que impede Kestrel de tocá-los. Dois povos inimigos, a guerra iminente e uma atração proibida... As origens que separam Kestrel de Arin são as mesmas que os obrigarão a lutarem juntos, mas por razões opostas. A Maldição do Vencedor é um verdadeiro triunfo lírico no universo das narrativas fantásticas. Com sua escrita poderosa, Marie Rutkoski constrói um épico de beleza indômita. Em um mundo dividido entre o desejo e a escolha, o dominador e o dominado, a razão e a emoção, de que lado você permanecerá?

The Winner's Curse é exatamente o que um primeiro livro de uma trilogia de fantasia deve ser. O leitor é apresentado a um mundo totalmente novo, com leis e regras próprias. Há também uma introdução aos principais personagens e o início do que virá a ser o enredo principal, que nesse caso, só dá as caras mesmo depois de mais da metade da obra.

Meu problema principal com o livro foi a estagnação inicial da história. Fofocas, indício de romance, bailes e personagens reclamões é tudo o que nos é oferecido durante boa parte do livro. Até que uma cena mais intensa acontece pra despertar um pouco o interesse, e foi a partir dessa cena que comecei a entender onde a autora queria chegar.

Muitos dizem que TWC é um livro de romance, mas eu discordo. Acho que o romance contido nesse primeiro livro fica bem em segundo plano (o que é ótimo), dando bastante espaço para outras tramas se desenvolverem, mesmo que lentamente. Dificilmente eu elogio romances, mas tenho que reconhecer os méritos da autora em criar um relacionamento crível e quase sem instalove, com personagens que vamos gostando aos poucos (comecei a leitura detestando os dois protagonistas e terminei adorando, ou seja...).

Kestrel é uma protagonista feminina diferente das que normalmente vemos em livros de fantasia YA. Um pouco mimada no começo, mas claramente influenciada pelo meio em que vive, ela cresce e se desenvolve conforme se vê diante de situações que exigem isso dela, e isso fez com que Kestrel se tornasse muito verossímil e tridimensional. O mesmo vale para Arin, que no início parece ser detestável mas aos poucos vai mostrando a que veio sem entregar tudo "de bandeja", mantendo um mistério em torno de si mesmo bem interessante. Dessa forma podemos criar empatia por ele e entender algumas de suas atitudes.

Como já citei, meu interesse foi crescendo ao longo do livro, conforme o ritmo da narrativa ia se acelerando. Não espere nada de muito original quanto ao enredo, pois as tramas e os conflitos contidos em The Winner's Curse são bem manjados de quem já leu um ou dois livros de fantasia. Mesmo já esperando algumas das reviravoltas, a escrita de Marie Rutkoski me prendeu bastante e foi crucial para que eu não desistisse da leitura.

O que se destacou na história pra mim, além dos personagens, foram algumas características do reino de Valoria, como a opção de alistamento militar dada às mulheres (mesmo mantendo o costume antigo do casamento arranjado e a escravidão), e toda a questão do duelo entre pessoas que desejam resolver alguma questão entre si, independente de idade ou gênero dos participantes. Isso até contradiz um pouco a ideia de que as damas devam sempre andar acompanhadas, mas mesmo assim vale a pena ressaltar esses pontos.

Não consegui achar elementos suficientes para classificar esse livro como distopia, apesar do que muitos alegam. Pra mim TWC é uma fantasia leve e com algumas questões políticas bem abordadas, uma protagonista forte e inteligente e um romance que não vai fazer o leitor revirar os olhos. Esses três fatores já são suficientes para fazer deste livro uma recomendação. Mas saiba que se você não gosta de livros com início lento, pode, assim como eu, ficar exausto ou demorar muito para terminar a leitura.

Quando comecei a leitura em inglês, descobri que seria lançado aqui no Brasil pelo selo Plataforma21, da editora V&R. Então pode ser que eu espere a trilogia inteira ser lançada pra adquirir todos os livros de uma vez :)

E você, pretende começar esta trilogia? Já leu? Deixa aí embaixo seu comentário!



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Tema escolhido para Maio: Recomendado

Beijos e até o próximo post :*

Resenha | Simon vs. a Agenda Homo Sapiens

segunda-feira, 9 de maio de 2016
Imagem: Stephanie Bertram

Autor: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Ano: 2016
Classificação: 
Skoob
Sinopse: Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.
Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar.
Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.
Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.

Simon vs. a Agenda Homo Sapiens foi o meu primeiro contato com a literatura LGBT (vou usar esta sigla por ser a mais comum, me desculpem se não estiver certa), e eu fico muito feliz de ter feito esta escolha para conhecer este subgênero ainda pouco explorado/divulgado dentro dos livros YA.


Dificilmente "fofo" é um adjetivo que chama minha atenção ao ler resenhas sobre um livro. Gosto mais de "sombrio", "pesado" e "denso". Por isso me surpreendo comigo mesma quando admito que sim, esse livro é deliciosamente fofo e sim, eu fui me apaixonando mais cada vez que virava uma página, o que ocorre bem rapidinho, já que a escrita de Becky é muito leve e gostosa. Simon tem uma voz que a princípio soou estranha, mas logo que me acostumei foi só sorrisos e amor.

O enredo é simples mas traz grandes reflexões; o próprio título é uma alusão à maior reflexão do protagonista (só lendo para descobrir o que significa). Várias vezes tomei uns tapas na cara com os pensamentos de Simon, mas ele é tão amorzinho que mesmo nos momentos mais sérios, me vi sorrindo em solidariedade.

Uma das melhores coisas de Simon vs... é o desenvolvimento dos personagens. Tirando toda essa questão de "sair do armário", preconceito e medo que envolve a vida do protagonista, há muitas coisas acontecendo na vida dos personagens secundários. Isso deu um tom muito mais real à obra, e foi bem bacana acompanhar as histórias dos amigos e familiares de Simon através de seus olhos.

O romance é muito bem abordado, natural e sem forçar a barra. Há todo um mistério em torno da identidade de Blue que me manteve curiosa o tempo todo, e quando veio a revelação, não me contive de alegria. Me senti uma parte da história e adorei acompanhar o desenvolvimento desse relacionamento inusitado.

Apesar de abordar preconceito e bullying, a autora preferiu dar um tom mais leve e divertido à obra, o que fez toda a diferença. Impossível não se sentir esperançoso com a possibilidade de vermos mais pessoas agirem da maneira que os amigos e familiares de Simon agem em relação à sua orientação sexual. É uma visão positivista e que nos faz refletir sobre o que esperar das próximas gerações quanto à aceitação e respeito ao próximo.

Recomendo essa leitura a qualquer pessoa, independente de orientação sexual. Se você gosta de livros para ler de uma vez só, com uma escrita fluida e gostosa, com certeza Simon vs... é para você.

Esta resenha faz parte do Desafio Literário I Dare You 2.0 (saiba mais clicando aqui).
Tema escolhido para Abril: Lançamento

Beijos e até o próximo post :*


5 dias, 5 resenhas | Quarto

sábado, 9 de abril de 2016

Autor: Emma Donoghue
Editora: Verus
Páginas: 350
Ano: 2011
Classificação: 
Skoob
SinopsePara Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la.
O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.
Já tinha adicionado Quarto à minha TBR há algum tempo, porém o destaque que o filme O Quarto de Jack ganhou na última premiação do Oscar me fez ficar interessada novamente pelo livro e decidi lê-lo antes de assistir ao filme, porque se não, não tem graça, né?!

A obra se destaca não só pelo seu enredo, que narra a jornada de uma jovem mãe e seu filho de cinco anos presos em cativeiro, mas principalmente pela escolha da autora de narrar o livro pelo ponto de vista de Jack, uma criança que não conhece nada além do mundo dentro de seu quarto. É muito curioso observar uma situação tão complicada pelos olhos inocentes de uma criança. Às vezes me incomodei um pouco com a naturalidade que Jack via em situações tão problemáticas, mas então me lembrava de sua idade e relevava qualquer comentário "inadequado" feito por ele.

Se Emma Donoghue queria passar desconforto e claustrofobia em sua narrativa, ela conseguiu, pois vivenciei exatamente isso. Em diversas passagens do livro, senti um nó na garganta e uma sensação de desespero que muitas vezes só passava quando eu deixava a leitura de lado. Mesmo sendo uma obra de ficção, não conseguia parar de pensar em como deve ser angustiante passar por uma situação como essa. 

Apesar de ter gostado muito do livro, tenho algumas ressalvas, principalmente a respeito do rumo que os acontecimentos tomaram. Ficou nítido que a autora não queria se aprofundar nos detalhes "policiais" do caso e sim nas consequências que o encarceramento pode trazer para a vida de quem o vivencia, mas fez falta saber um pouco mais sobre o Velho Nick e a investigação em torno do sequestro. Também fiquei esperando algumas reviravoltas mais dramáticas que não vieram,  gerei muita expectativa e no fim das contas a história se desenrolou sem grandes surpresas. Isso acabou fazendo com que eu me envolvesse um pouco menos com o enredo conforme iam chegando as últimas páginas.

Mas é claro que no final o saldo foi totalmente positivo e eu fiquei bem satisfeita com a leitura. Mas aviso que é possível que algumas pessoas tenham problemas com o ponto de vista de Jack e algumas das escolhas da Mãe (ela amamenta seu filho mesmo aos cinco anos de idade e o mantém em um guarda-roupa todas as noites). Apesar de ter ficado incomodada com algumas coisas, não julguei as atitudes da personagem pois acredito que em situações extremas, decisões tão extremas quanto precisam ser tomadas.

Então é isso, vou finalizando por aqui, me conta aí embaixo o que você achou do livro caso tenha lido ou se ficou interessado em ler!

Apesar do pequeno atraso, consegui cumprir o "desafio" e estou muito satisfeita por ter colocado todas essas resenhas no ar. Agora o blog voltará a ter posts de outros assuntos intercalados com as resenhas.

Esta resenha faz parte do Desafio Literário I Dare You 2.0 (saiba mais clicando aqui).
Tema escolhido para Março: Escrito por mulher

Beijos e até o próximo post :*

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